Israel

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É muito interessante ver como os conceitos de arquitetura e decoração são interpretados em cada parte deste mundo. São tantos os fatores que levam à consolidação de um estilo em cada cidade, que dariam para compor uma enciclopédia. Aliás, está aí uma ideia a quem se dispuser. Assuntos não vão faltar.

Como o primeiro post da série “Decoração pelo Mundo”, vou citar Tel Aviv, a segunda maior cidade de Israel e também a mais moderna do país. Conhecida como Cidade Branca por abrigar mais de 4 mil prédios revestidos de branco, a cor marcante do estilo racionalista na arquitetura, teve esse conjunto arquitetônico tombado pela Unesco em 2003, considerado Patrimônio Mundial da Humanidade. Não sem razão. Caminhar pelas ruas da cidade é visitar um museu Bauhaus a céu aberto.
Entre as milhares de obras do estilo Bauhaus em Tel Aviv, me encanto particularmente com o conjunto dos 4 prédios que circundam a Dizengoff Square, dentre eles o que abriga o Hotel Cinema Esther. Há 1 ano estive no local e a praça estava em reforma. Não dava para se ter uma ideia nem do que era e nem do que viria a ser. Este ano voltei à cidade e fiquei maravilhada com o resultado da obra. Para entender melhor todo o processo, pesquisei imagens e dados de antes da reforma. Confira nas fotos abaixo.

De cima para baixo, na primeira foto, como encontrei a Praça Dizengoff em abril de 2018 e o registro de como era no passado. Aí entendi o porquê das elevações, pois o tráfego fluía por baixo dela. Nas outras fotos, a obra já concluída, como a encontrei em fevereiro deste ano. A escultura cinética de alta tecnologia no meio da praça é uma obra de Yaacov Agam, doada para a prefeitura da cidade em 1986. Foi retirada para a obra e reinstalada novamente. Consiste numa fonte onde coexistem o fogo e a água, como referência à celebração à vida, elementos constantes na dinâmica das mudanças. A fonte jorra água para cima, intercalando com fogo ao som de músicas clássicas. Um espetáculo.

Art Déco na decoração em Israel

O estilo Art Déco (forma abreviada de “arte decorativa” em francês), se orientou pelos conceitos da escola Bauhaus, onde as linhas mais simples, sejam curvas ou geométricas, predominam. Em um passeio por Old Jaffa, a parte antiga de Tel Aviv, por entre becos e ruelas há verdadeiras preciosidades artísticas. Entrei em uma loja de decoração onde me perdi entre as várias propostas de móveis e objetos art déco (sim, sou fã confessa do estilo). Criações sem limites e sem medo de ousar, tanto nas formas como nas cores. Ambientes criados no padrão estética + conforto = funcionalidade. Sim, ser funcional acima de tudo foi o que eu pude perceber como prioridade na cidade. Mostro aqui um pouco do que vi e me apaixonei.

Os ambientes assumem suas paletas de cores sem timidez. Não há confronto entre texturas e estampas diferentes, e sim complementação. Objetos de grande porte ocupam espaço sem roubar o espaço em si. Enfim, um outro conceito de morar.

Cores e formas

Formas arredondadas e cores intensas são características marcantes nos móveis art déco, como alguns deste móveis que encontrei por lá.

Formas ovaladas nos guarda-roupas gêmeos, cores contratantes no armário da sala e o sofá em forma de onda no lounge do Tel Aviv Fashion Mall.

Decoração é arte

Decorar, em Israel é valorizar seus designers e criadores. Nada é por acaso, tudo tem um contexto e um sentido bem particular. O Bezalel Hotel Jerusalém (da mesma rede do Hotel Cinema Esther) onde me hospedei ano passado e que sem dúvida recomendo muito, foi extremamente meticuloso desde a concepção da sua identidade visual, passando pelo mobiliário que combina estilo vintage com peças contemporâneas aos acessórios. Todos os itens escolhidos foram encomendados à artistas locais.

No apartamento, o azul intenso, cor oficial de Israel, estão no carpete, cadeira e luminária. No restaurante, os sofás e luminárias mantém a paleta dos azuis. As cadeiras da segunda foto do restaurante são da coleção Gaga and Design, criação da Primitive and Design em colaboração com o designer Yaacov Kaufman. A luminária de mesa, da Aqua Creations, tem linhas comoventes. Pertence à coleção The Rose Li, inspirada nas tradicionais posições do Tai Chi. Aliás, em todos os apartamentos e corredores, temos a sensação de estar numa galeria de arte. No jardim, criada especialmente para o hotel, a escultura de Zohar Gotesman, batizada de Here Lie the Bones of Boris Schatz’s Peacok (aqui descansam os ossos do pavão de Boris Schatz). De acordo com várias histórias em torno do artista falecido em 1932, ele tinha um pavão que o acompanhava onde quer que fosse. Mas curiosamente e verdadeiro, o hotel fica a poucos metros da Bezalel Academy of Arts and Design do qual Boris Schatz é fundador e da casa onde viveu. Como disse, na decoração e na arte, nada é por acaso em Israel.

O lúdico também tem vez

O bom humor quase sempre está presente nas manifestações artísticas em Israel, tanto em ambientes como em acessórios. Não consegui fotografar muita coisa, mas tenho algumas referências bem curiosas.

Uma leitura do clássico pinguim de geladeira na visão art déco. Eu devia ter comprado, são pitorescos demais. O Menorah estilizado e colorido. Relógios de madeira com cara de antiguinhos. Escultura de casal de bailarinos em vidro multicor. A escultura gigante que até um ano atrás estava na entrada do Mamila Shopping em Jerusalém, agora substituída, é um convite à provocar várias interpretações. Estariam Adão e Eva arrependidos e envergonhados? Dentro do Sarona Market, em Tel Aviv, templo gastronômico das melhores guloseimas do planeta, encontrei algo muito interessante. Algumas salas espalhadas pelo mercado para você degustar suas refeições. O mercado é composto de várias ilhas de restaurantes, mas há poucos lugares para se sentar em torno delas. Então, você compra sua refeição e escolhe livremente onde quer comer de acordo com seu humor ou seu menu. Pode ser num clima quente e intimista ou no mais despojado clima tropical com um teto repleto de bananas. Mas o máximo foi encontrar, na cidade litorânea de Eilat, ao sul de Israel, um restaurante de frutos do mar, quase pé na areia, mobiliado com sofás Chesterfield de veludo verde. Como assim? Sim, e acredite, essa pegada nonsense ficou muito legal.

Crédito das fotos do 1º parágrafo no sentido horário: fotos 1 e 2, encontradas na Internet. As demais fotos da matéria: Beth Duda.